Construídas a pensar nas pequenas famílias, as carrinhas do segmento B tornaram-se opções imprescindíveis no mercado português, tanto pelo preço, como pela versatilidade e segurança que ainda assim apresentavam. Actualmente, e embora já só se comercializem no mercado de usados, a Palio Weekend e as suas correntes continuam a ser boas apostas para quem pretende um carro familiar barato.
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Longínquo vai o ano de 1996, quando a Fiat italiana resolveu lançar um modelo que viria a ser considerado como o primeiro “World Car” da marca, para ser construído fora de Itália e produzido no Brasil. Estamos assim perante um produto que é fruto dos esforços conjuntos de Turim e Betim. Contudo, o seu aspecto é inteiramente da responsabilidade do centro de design da marca italiana.
A Fábrica de Betim, no Estado de Minas Gerais, é a maior unidade fabril da Fiat fora de Itália. Representa 33% da produção nacional, criando 20500 postos de trabalho, dos quais 11500 são cargos de direcção. Ganhou ainda duas certificações internacionais de qualidade, a ISSO 9002 e a ISSO 14001. Produzem-se 1740 carros – entre estes se incluem o Palio e o Uno brasileiro - e 1200 motores, por dia.
Segundo dados estatísticos do ano de 1997, venderam-se 23 mil unidades por mês do Palio, tornando-se best-seller absoluto no Brasil, mantendo o título de carro mais vendido da Fiat neste país. Mais de 500 mil foram comercializados desde o lançamento em quarenta e um mercados, incluindo: Alemanha; Itália; Espanha, França; África do Sul; Marrocos; Rússia; Índia; e Vietname. O veículo é produzido em dez países e vendido e exportado para outros trinta e um (dados até 2000). A título de curiosidade, cumpre informar que este tem ganho alguns prémios “Carro do Ano” no mercado brasileiro, para além de ser, actualmente, o segundo automóvel mais vendido. Referência ainda para as vitórias alcançadas no panorama desportivo daquele país da América do Sul.
Da família Palio – onde estão incluídos o utilitário Palio, a carrinha Weekend, a berlina Siena e a Pick Up Strada - apenas se importaram para Portugal, a Palio Weekend, nas versões de 1242 c.c. de 75 CV e Turbo Diesel de 70 CV, e a Strada, cuja apresentação foi feita, unicamente, com a motorização TD 70. Estes dois motores são oriundos do Punto I, que não chegou a ser comercializado no Brasil, visto ter sido o Palio, em termos de estratégia de marketing, o substituto do Uno, neste mercado.
Concretamente, e em relação à versão Weekend, esta é uma carrinha que se insere no mercado português com “peixe na água”, isto é, tal como aconteceu com o Uno, veio a demonstrar uma excelente relação preço–qualidade. Na altura da sua aparição, em 1998 (um ano antes no Brasil), a Palio Weekend tinha como opositora a Skoda Felicia. A partir de 2000 o modelo italiano passaria a designar-se de “Palio Weekend Liberty” e oferecia de série, jantes de liga leve de 14” (oriundas do Palio Sport brasileiro), bem como todos os extras oferecidos nos modelos desde 1998: motor com injecção multiponto sequencial, discos ventilados à frente, suspensões independentes às quatro rodas e duas barras estabilizadoras, faróis de nevoeiro, estrutura reforçada contra embates e capotamento, sistema eléctrico anti-incêndio, chave codificada, mini check panel, airbag para o condutor, mala com 460 litros de capacidade, podendo ser ampliada com os bancos rebatidos, entre outras características. O automóvel poderia ainda ser enriquecido com mais equipamento: ar condicionado, ABS, sistema de lava faróis, duplo airbag, tecto de abrir, entre outras particularidades.
Já no século XXI, a carrinha italiana passou a ter concorrentes tais como a Peugeot 206 SW e a Skoda Fabia (substituta da Felicia). Estas versões ganharam desde logo o estatuto de “carrinhas económicas” dado o baixo preço a que eram comercializadas, sendo destinadas a famílias com menos verbas para adquirir stations de segmentos mais elevados. Na verdade, estes três modelos foram construídos a partir de utilitários: o Fabia, o 206 e o Palio.
No nosso país, no ano de 2002, chega a nova Palio com características muito semelhantes ao Punto II. Para além dos extras do modelo anterior, esta apresenta de série – e face à concorrência – motor 1242 c.c. 16V e 80 CV, ABS, acelerador electrónico (sistema Drive by Ware), ar condicionado, bem como a frente, a traseira e os interiores redesenhados.
As principais críticas assentam essencialmente na montagem e na qualidade de alguns materiais e, de certa maneira, nas recuperações, quer na versão de 75 CV e 8V, quer na versão de 80 CV e 16V. As suas suspensões são algo macias, contrastando completamente com a dureza da suspensão do Uno e principalmente do Punto II. Todavia, o comportamento não se apresenta prejudicado graças às duas barras estabilizadoras e ao sistema de rodas independentes. Em termos gerais, o modelo italiano em questão apresenta-se bastante equilibrado, principalmente pela sua famosa motorização FIRE (produzido em fábricas totalmente robotizadas e oferecendo uma árvore de cames à cabeça no motor de 8V e dupla árvore de cames no bloco de 16V); espaço habitável q.b. (embora um pouco inferior em relação às suas duas concorrentes), mas ganhando largamente na capacidade da mala (460 L), chegando mesmo a ameaçar outras carrinhas de segmentos superiores, neste campo.
A Palio apresenta-se ainda despida de luxos – principalmente na primeira versão -, possibilitando na altura, preços na ordem dos 2800 contos. A versão posterior era das mais caras da concorrência, rondando os 17000 €, ou seja, 3400 contos.
Tal como foi referido anteriormente, esta station apresenta uma excelente relação preço-qualidade, permitindo ganhar pontos em relação à concorrência, no que respeita à manutenção e custo das peças.
A Peugeot 206 SW apresenta-se também com argumentos fortes, principalmente porque a marca francesa tem uma larga experiência de 50 anos na construção deste tipo de veículos. A sua estética completamente arrebatadora permitiu que o modelo, nas suas diversas variantes, se tenha posicionado como um autêntico best-seller em vendas na Europa.
Em relação à motorização, estamos perante o velho bloco de 1124 c.c. e 60 CV oriundo do AX, que se mostra um pouco amorfo neste modelo, mas que segundo as revistas da especialidade conseguia bater em recuperações a carrinha italiana. Contudo, este bloco apresenta uma grande robustez, apesar de ser menos evoluído tecnologicamente, que os FIRE. Outro campo em que a Palio vence é sem dúvida a capacidade da bagageira largamente superior (já referido anteriormente). Estes modelos apresentam-se em pé de igualdade no que respeita a algumas deficiências na montagem e na qualidade dos materiais, embora a 206 se apresente com um pouco mais de requinte. Esta última leva ainda vantagem pela possibilidade que oferece ao poder abrir-se a tampa da mala também pelo vidro.
A Skoda Fabia é sem sombra de dúvidas o modelo mais bem construído, ou não fosse fruto do trabalho dos engenheiros alemães, que não olham a custos e produzem de facto carros com qualidade. Os fechos das portas interiores cromados, a montagem do tablier e dos forros das portas, as luzes de presença no fundo destas e outras características, a que os alemães já nos habituaram, mostram que o modelo checo é mesmo um VW, embora por um preço mais baixo. É claro que aqui encontramos manutenções mais caras e um custo de peças mais dispendioso. Qualquer das formas a Fabia não se apresenta “muito familiar” dado que também apresenta uma bagageira com menos capacidade que o modelo italiano, embora bastante maior em relação à 206 SW.
As suas motorizações são dignas de registo pela sua qualidade, uma vez que são oriundas do grupo VW. Todavia, há a registar alguns pequenos percalços de natureza electrónica. Comparando os blocos com a mesma capacidade, estes não se sobrepõem aos italianos, quer nas prestações (excepto recuperações), quer na robustez. É evidente que a comparação deixa de fazer sentido, quando se colocam lado a lado, modelos com motorizações completamente diferentes.
A Palio I apresentava o incansável 1.2 de 8V e 75 CV e o velho TD 70, que dificilmente já passava nas exigentes especificações europeias, ao nível das emissões de gases. A Palio II apresenta as seguintes motorizações: 1.2, 80 CV e 16V e o motor 1.9 JTD, deitando “por terra” o propulsor TD 70; a 206 SW apresenta os seus “velhos blocos”, mas não menos robustos 1.1 de 60 CV e 8V, o 1.4 de 75 CV e 8V e o famoso 1.4 HDI. Por seu turno, a Fabia apresenta os seguintes blocos: 1.2 de 65CV; o 1.4 de 8V de 68 CV; 1.4 de 16V (modelo que oferece de série travões de disco às quatro rodas); e os diesel 1.4 TDI; 1.9 SDI e 1.9 TDI (todos eles apresentam tecnologia do grupo VW/Audi).
A Fabia apresenta um maior leque de motorizações e preços diferenciados para quem aprecia uma certa qualidade. A Palio oferece a maior bagageira do segmento, boas motorizações e baixo custo de manutenção. A 206 oferece conforto francês, imagem moderna, versatilidade e também robustez.
Qualquer que seja a opção de cada um, ambas as opções se mostram válidas, uma vez que a concorrência é cada vez mais feroz e consequentemente os produtos acabam por ser mais ou menos equiparados. Cada um saberá efectivamente encontrar o modelo que mais corresponde às suas necessidades e gostos adquirindo uma carrinha barata, com muitas características de outros segmentos superiores.
Rui Barata
2003 - 29/10/09
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